Cidade sofre com falta de ciclovias
Bicicletas poderiam desafogar o trânsito, mas falta espaço para ciclovias
25/04/2008


Transporte: Ciclovia da Radial Leste
está sendo bastante utilizada

Volta Redonda
A bicicleta é um meio de transporte tradicional em Volta Redonda. A cidade já se acostumou com a procissão de trabalhadores que, no início da manhã ou no meio da noite - como o conhecido “pessoal do zero hora”, que faz o turno da madrugada na CSN - cruza a ruas montados nas ´bikes`. Rápida, barata, e ainda por cima não poluente e saudável, a bicicleta está se tornando veículo cada vez mais utilizado em grandes cidades no mundo inteiro, quebrando preconceitos e mostrando que pode ser uma grande solução para um trânsito cada vez mais congestionado e problemático.
Apesar disso, Volta Redonda possui poucas ciclovias, e o trânsito de bicicletas está cada vez mais restrito na cidade. Para o diretor presidente da Suser (Superintendência de Serviços Rodoviários), Sebastião Faria, o número de carros cresceu e tirou espaço das bicicletas - de acordo com informações do Detran, hoje circulam em torno de 73 mil veículos na cidade e a previsão é que em 10 anos a frota chegue a 170 mil veículos.
- Esse crescimento do número de carros é positivo porque indica uma melhora no nível econômico da população, mas, por outro lado, poderá gerar um grande problema para o trânsito da cidade no futuro - disse ele, acrescentando ainda que as características do relevo da cidade, que possui várias ladeiras, e a falta de verbas também são fatores que dificultam a criação de ciclovias ou ciclofaixas (faixa localizada entre a calçada e a faixa de rolamento de veículos), principalmente em alguns bairros, mais centrais e com maior movimento comercial, como Vila Santa Cecília e Retiro.
Faria informou também que a cidade conta com duas ciclovias e duas ciclofaixas.As ciclofaixas estão localizadas na Via Radial Leste e na avenida Paulo Erlei Alves Abrantes (estrada Volta Redonda-Pinheiral), e as ciclovias ligam o bairro Niterói até o bairro Belmonte, e a avenida dos Trabalhadores com a BR-393, seguindo até a Vila Santa Cecília.

Melhoria do transporte coletivo é prioridade
Segundo o diretor, várias medidas têm sido tomadas para minimizar o problema do trânsito, mas a prioridade do governo municipal é o transporte coletivo. Em agosto será feita uma pesquisa com os usuários de ônibus, com o objetivo de avaliar o sistema de transporte coletivo na cidade.
- A partir dessa pesquisa vamos tentar melhorar e intensificar o uso do transporte coletivo, aumentando malha viária e o número de usuários. Queremos dar mais conforto para a população, mas também vamos estimular as pessoas a deixarem seus carros em casa e usarem o transporte coletivo - enfatizou.
Além disso, está prevista para o ano que vem a instalação de uma nova ciclofaixa na cidade. - Alguns estudos estão sendo feitos para a implantação de mais uma faixa exclusiva para as bicicletas, o que deverá acontecer no próximo ano, junto ao acostamento da avenida Caetano Arcuri Espinelle, ligando a avenida Francisco Torres, no bairro Voldac, à avenida dos Ex-Combatentes, no bairro Santa Cruz. Serão feitos cerca de três quilômetros e meio de ciclofaixa - disse Faria.
Uma outra questão que chama a atenção da prefeitura em relação às bicicletas é o número de acidentes envolvendo ciclistas, e as reclamações feitas por motoristas e pedestres.
Faria informou que a prefeitura, por meio da Guarda Municipal, tem realizado várias campanhas educativas - com distribuição de panfletos, placas informativas nas passarelas e fiscalização - com o objetivo de orientar e prevenir os ciclistas sobre os possíveis riscos de acidentes.
- Essas campanhas visam à segurança dos ciclistas no trânsito. Hoje, o número de vítimas em acidentes de trânsito envolvendo bicicletas diminuiu bastante, e as reclamações de pedestres também - disse ele, acrescentando que a Guarda Municipal efetua ações de fiscalização e algumas apreensões de bicicletas foram feitas, obrigando o ciclista a assistir a uma aula de segurança no trânsito.

Vendas de bicicletas continuam altas
Quem vive da venda de bicicletas diz que a invasão dos carros e dos riscos de acidente não espantaram os fregueses, e o veículo ainda é uma alternativa de transporte para muitos trabalhadores, pelo baixo custo e facilidade de locomoção. O vendedor Rodrigo Pessoa da Silva, que também trabalha com conserto de bicicletas, disse que seu maior público são os funcionários das companhias siderúrgicas.
- Vendemos uma média de 50 bicicletas por mês e a maior parte diz que vai utilizá-la como meio de transporte para o trabalho. Normalmente são funcionários das siderúrgicas. Como a maioria compra para trabalhar, também é grande a procura por serviços como conserto de pneus e peças que desgastam pelo uso freqüente. Também vendemos muitos acessórios como retrovisor, olho de gato e buzina, que são obrigatórios nessas empresas para quem usa a bike como transporte.
De acordo com André Valim, vendedor, deixar uma parte da faixa da esquerda para os ciclistas, fiscalizar o uso de equipamentos de segurança e implantar bicicletários na cidade, seriam boas idéias para incentivar o uso das bicicletas na cidade.
- Atualmente vendemos em média 60 bicicletas por mês, alguns usam para lazer, mas a maior parte é para o trabalho. O movimento vem caindo um pouco pela falta de ciclovias e o número muito grande de veículos. Quando o viaduto N. S. das Graças foi duplicado, foi restringido a faixa de acesso dos ciclistas, que ligava o Aterrado à Vila Santa Cecília. Hoje a alternativa é atravessar a passarela empurrando a bicicleta - disse, acrescentando que a prefeitura deveria incentivar o uso da bicicleta. “É saudável e barato”, comentou o vendedor.
Os vendedores informaram ainda que há uma empresa em Volta Redonda que possui várias bicicletas para o uso dos trabalhadores, inclusive com a manutenção paga, para evitar o gasto com vale transporte. Também há trabalhadores de Pinheiral que vem de bicicleta para Volta Redonda, por economia e pela irregularidade no horário dos ônibus, segundo informações de vendedores.

Transporte e trabalho
Além de ser grátis, saudável e não poluir o ar e, portanto, um excelente meio de transporte popular, a bicicleta ainda pode servir como instrumento de trabalho.
É o caso de Almir da Silveira, que utiliza um triciclo adaptado para vender doces.
- É minha ferramenta de trabalho e transporte. Sou filho de feirante, e sempre trabalhei nas ruas, mas era cansativo, andava a pé. Veio o desejo de trabalhar com doces e tive a idéia do triciclo, porque ficava mais fácil para ir ao freguês, e não esperar ele vir a mim. Não abuso no transito e as pessoas me respeitam. Ônibus e carros de passeio até param para eu passar porque eles respeitam o meu meio de sobrevivência. O triciclo é o meu transporte, emprego e o meu remédio, porque sou diabético e preciso fazer caminhada e exercícios, então eu trabalho e trato da saúde ao mesmo tempo - disse ele.
Alguns trabalhadores, no entanto, acham que ainda existe muito preconceito contra a bicicleta. “Existe preconceito. Várias pessoas têm vergonha de andar de bicicleta”, disse Vladimir Francisco Magalhães, que usa a bicicleta diariamente para ir ao trabalho, e critica a falta de ciclovias na cidade.
- A falta de espaços para pedalar com segurança é muito ruim. Volta Redonda é uma cidade pequena para se andar de carro, prefiro a bicicleta. Também acredito que se a prefeitura implantasse uma ciclovia paralela á avenida Siderúrgica, margeando a CSN, seria ótimo, porque passaria por vários bairros da cidade - disse.