![]()
Incentivo ao uso de bicicletas pode sair do papel em Belo Horizonte
Fonte: O Tempo - BH Maio / 08
A Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte – BHTrans quer incentivar o uso de bicicletas como meio de transporte na capital com a criação de novas ciclovias na cidade. De acordo com o gerente de coordenação de Mobilidade Urbana da BHTrans, Marcelo Cintra do Amaral, dois projetos prevêem a construção de pistas exclusivas para tráfego das bicicletas.
Uma ao longo de todo o rio Arrudas (Ciclovia Leste) e outra interligando a orla da lagoa da Pampulha até a Avenida Vilarinho, em Venda Nova, passando pela Avenida 12 de Outubro, no bairro Santa Mônica (Ciclovia Norte), onde já existe uma ciclovia.
Segundo Amaral, os dois projetos já estão em andamento e devem ser concluídos ainda no segundo semestre deste ano. O dinheiro para execução das obras ainda não foi garantido.
O gerente da BHTrans foi um dos convidados da Câmara Municipal, que discutiu nesta segunda-feira, 14 de maio, a criação de uma política municipal de incentivo ao uso de bicicletas e motocicletas, medida prevista no projeto de lei nº 1.102/06 da vereadora Luzia Ferreira (PPS).
O evento contou também com a participação de grupos e organizações ligados aos ciclistas. Belo Horizonte possui hoje quatro ciclovias.
Além da lagoa da Pampulha e Avenida 12 de outubro, há espaço para as bicicletas na Avenida Tereza Cristina (região Oeste) e no recém-inaugurado Bulevar Arrudas, no centro da cidade, num trecho de quase 1 km – da Serraria Souza Pinto até a alameda Ezequiel Dias.
Todas elas juntas totalizam um trecho 22 km, onde há o tráfego exclusivo do veículo não motorizado de duas rodas. Pelos novos projetos mais 25 km de ciclovia seriam instalados na capital, o que ainda seria muito pouco diante das proporções da capital.
“Com o trânsito tão complicado, poluição sonora e ambiental, hoje é mais do que essencial investir nesse tipo de iniciativa. O ideal é conseguir com que a cidade tenha a longo prazo 300 km de ciclovia”, disse Amaral.
Atualmente, 0,7% da população da capital usa bicicleta, todos os dias, como forma de deslocamento. “Pela última pesquisa Origem – Destino da Fundação João Pinheiro, em 2002, esse também era o índice de usuários/dia de táxi na capital”, afirmou o gerente da BHTrans.
Ao todo, 15 mil pessoas já utilizam diariamente a bicicleta como meio de transporte na cidade. Segundo Amaral, apesar da topografia acidentada, Belo Horizonte tem potencial para usar a bicicleta como meio de transporte.
“Ainda faltam locais para estacionamento e ciclovias na cidade, mas é preciso destacar que, aqui em Belo Horizonte, 72% das vias são locais (ruas de bairros), as mais adequadas para o uso seguro das bicicletas.”
O projeto de lei também sugere a elaboração de plano piloto para implantar um sistema cicloviário na cidade.
O texto ainda exige a criação de vagas de estacionamento destinado às bicicletas e motocicletas em todos empreendimentos acima de 6.000 metros quadrados. O projeto pode ser votado em 1º turno ainda neste mês.
Adeptos querem curso de capacitação
Além da BHTrans e parlamentares, a audiência que debateu o incentivo ao uso de bicicletas em Belo Horizonte reuniu adeptos do ciclismo.
Entre eles, estava a publicitária Andrea Marcollini, que propôs a criação de parcerias com os órgãos de trânsito para cursos de capacitação dos ciclistas que trafegam todos os dias pela cidade. Além de educar, o intuito da medida, segundo ela, é minimizar o número de mortes em acidentes.
De acordo a última avaliação da BHTrans, entre janeiro e outubro de 2006, das 166 mortes no trânsito da capital, cinco foram de ciclistas (3% do total).
“A maioria dos ciclistas hoje é mal instruído sobre seus direitos e deveres no trânsito e isso acaba causando problemas. Muitos andam com a bicicleta na calçada, furam sinal, transitam pela faixa da esquerda. Por sua vez, os motoristas também não sabem nos respeitar”, considerou.
A publicitária faz parte do Grupo Le Vélo, criado em 2004, em que cem pessoas praticantes do ciclismo percorrem as ruas do centro da cidade todas as noites de quarta-feira.
O gerente de Coordenação de Mobilidade Urbana da BHTrans, Marcelo Cintra do Amaral, explicou que o Plano Diretor do Hipercentro de Belo Horizonte instituído neste ano prevê a criação de uma rota de trânsito compartilhado com os carros, mas ainda não há previsão para implantar a medida.