PPS aclama Soninha, que quer mudar vida urbana
Ex-petista defende soluções contra o individualismo e o sedentarismo
16/06/2008 - Gabriel Manzano Filho - O Estado de S. Paulo

 

Ela chegou de bicicleta, sambou por longo tempo no calçadão diante da Câmara Municipal, distribuiu muitos abraços e beijos e a todo mundo que lhe perguntava sobre suas chances eleitorais respondia: "Dá sim, quem disse que não dá? Vamos acabar com o derrotismo."

De fala fácil, toda informal em seu jeans com camiseta preta, blusa amarrada na cintura, a vereadora e ex-apresentadora da MTV Soninha Francine tornou-se ontem, por aclamação do partido, a primeira candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo. Criado nos anos 90, o partido havia apoiado antes Luíza Erundina (PSB) em 2000 e José Serra (PSDB) em 2004.

À parte o uso da bicicleta - ela pratica ciclismo há muitos anos - Soninha não fez segredos: o trânsito será um dos carros-chefe de sua campanha. "O caos que temos hoje no trânsito de São Paulo é determinante. Ele cria problemas sérios de saúde, por causa da poluição. Cria desafios técnicos, porque os serviços não funcionam. Cria problemas de saúde mental, pois as pessoas já chegam ao trabalho esgotadas e voltam para casa estressadas. Não sobra tempo para a vida familiar." Mas a saída, segundo ela, não é abrir mais ruas ou construir mais metrôs. "É preciso reconfigurar a cidade, atacar o excesso de longas viagens de gente que mora num lado de São Paulo e trabalha no outro."

Animada, a platéia - cerca de 600 pessoas que congestionaram o local - gritava "Um, dois, três, Soninha desta vez". Ao lado da candidata, na mesa do plenário, estavam o presidente nacional do partido, Roberto Freire e o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP). Este, num inflamado discurso, animou os 83 candidatos a vereador do PPS a lutar "contra a vergonha e o compadrio em que mergulhou a Câmara Municipal". O presidente do PPS estadual, Carlos Fernandes, elogiou as gestões de José Serra e Gilberto Kassab - "sem dúvida, a cidade melhorou" -, mas ironizou a convenção do DEM, em que a platéia vaiou o vice-governador Alberto Goldman por trocar os nomes de Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin. "Se estão juntos na mesma luta, porque um lado vaiou o outro? A vaia foi para esse tipo de aliança."