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Pedala, Brasil!
A inclusão da bicicleta nos deslocamentos urbanos deve ser abordada como elemento para a implantação do conceito de Mobilidade Urbana Sustentável e como forma de redução do custo da mobilidade das pessoas.
30/06/08 - Por Marcelo Grimaldi - Revista Nosso Ambiente (Junho / Julho)

As cidades constituem-se no palco das contradições econômicas, sociais e políticas e o sistema viário é um espaço em permanente disputa entre diferentes atores, que se apresentam como pedestres, ciclistas, condutores e usuários de automóveis, caminhões, ônibus e motos.
O Ministério das Cidades tem como desafio ampliar a visão predominante dos problemas de circulação, de modo a incorporar dimensões econômicas e sociais normalmente não consideradas. Trata-se de reconhecer a existência de uma crise de mobilidade que engloba as questões de transporte público e trânsito, exigindo soluções que superem sua análise fragmentada. Nesse sentido, a Secretaria de Transporte e da Mobilidade Urbana – SeMob – tem desenvolvido o conceito de Mobilidade Urbana Sustentável, como o resultado de um conjunto de políticas de transporte e circulação que visam proporcionar o acesso amplo e democrático ao espaço urbano, por meio da priorização dos modos de transporte coletivo e não motorizados de maneira efetiva, socialmente inclusiva e ecologicamente sustentável.
Essa nova abordagem tem como centro das atenções o deslocamento das pessoas e não dos veículos.
Ao se analisar a realidade das cidades brasileiras, verificasse em muitas delas o uso crescente da bicicleta como meio de transporte para o trabalho e estudo, além das atividades de lazer, necessitando, assim, de tratamento adequado ao papel que desempenha nos deslocamentos urbanos de milhares de pessoas. A inserção da bicicleta nos atuais sistemas de transporte é possível, mas ela deve ser considerada como elemento integrante do novo desenho urbano necessário para dar suporte à mobilidade urbana sustentável, incorporando-se à construção de ciclovias e ciclofaixas, principalmente nas áreas de expansão urbana. Torna-se necessária a ampliação da abordagem para incluir as vias cicláveis – vias de tráfego compartilhado que podem ser adequadas ao uso da bicicleta. Ao desenvolver o Programa Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta, a SeMob procura estimular os governos municipais, estaduais e do Distrito Federal a desenvolver e aprimorar ações que favoreçam o uso da bicicleta como modo de transporte, com mais segurança. A política de mobilidade urbana adotada pelo Ministério das Cidades se inspira nas principais resoluções e planos emanados dos encontros internacionais sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com particular referência àqueles aprovados nas conferências do Rio de Janeiro (1992) e Joanesburgo (2002).
Nesses encontros, que contaram com a participação ativa do Brasil, foram fundamentais o entendimento atual de que a interdependência entre desenvolvimento humano e a proteção ao meio ambiente é crucial para assegurar uma vida digna e saudável para todos. A formulação da política para construção de cidades sustentáveis veio promover a participação do governo federal com proposições de planejamento integrado nas questões de mobilidade das cidades. Essa política tem foco na intersecção de quatro campos de ação: desenvolvimento urbano, sustentabilidade ambiental, inclusão social e democratização do espaço. Esse último inclui o acesso democrático à cidade e a valorização dos deslocamentos de ciclistas. A inclusão da bicicleta nos deslocamentos urbanos deve ser abordada como elemento para a implementação do conceito de mobilidade urbana para cidades sustentáveis como forma de inclusão social, de redução e eliminação de agentes poluentes e melhoria da saúde da população. A integração da bicicleta nos atuais sistemas de circulação é possível, mas ela deve ser considerada como elemento integrante de um novo desenho urbano, que contemple a implantação de infra-estruturas, bem como novas reflexões sobre o uso e ocupação do solo urbano.