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São Paulo, dezembro, 19 de dezembro de 2008
A orla de Maceió ganha ciclovia e passeios dentro das normas de acessibilidade
Coordenação Final de Projeto e Execução:
Arq. Rosa Elena Tenório Nogueira
Equipe de Discussão:
Arq. Carmem Andreia Fonseca(Smpd)
Arq. Andreia Estevam(Smpd)
Arq. Adriana Cavalcanti(Smccu)
Arq. José Moura(Smtt)
Arq. Telma Tenório (Sempma)
Arq. Tatiane Macedo
Arq. Rosa Elena Tenório Nogueira
Equipe de Elaboração de Projeto:
Arq. Rosa Elena Tenório Nogueira
Arq. Tatiane Macedo

A Revista Em Foco convidou a arquiteta, da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento, Rosa Elena Tenório Nogueira - responsável pela Coordenação Final de Projeto e Execução da Reestruturação da Orla Marítima de Maceió - para comentar sobre as melhorias que esse espaço está recebendo e as técnicas empregadas a fim de garantir a acessibilidade e qualidade de vida para todos, bem como ampliar as áreas de lazer para os moradores e turistas que visitam Alagoas.

Arq. ROSA ELENA TENÓRIO NOGUEIRA
A reestruturação da orla marítima fez parte de um conjunto de ações propostas pelo Plano Estratégico de Desenvolvimento para a cidade de Maceió. A fim de conseguir tocar esse projeto, e também por uma questão legal, a Prefeitura de Maceió solicitou a cessão dessa área pública à Secretaria de Patrimônio da União e foi exigência desta, para conceder a cessão, um projeto urbanístico o qual faria parte do processo. O que coincidiu com a idéia que já existia da importância de realizar um bom projeto de urbanização nessa área da cidade.
Na época, formou-se uma equipe com técnicos de várias secretarias do município com o objetivo de fazer um levantamento dos problemas, conceituar e estabelecer, de forma integrada, parâmetros para a elaboração dos projetos. Em relação à orla da Pajuçara até Jatiúca, essas diretrizes tinham, de uma maneira geral, o objetivo de dotar a cidade de áreas de qualidade direcionadas ao lazer e o esporte da população mas também de disciplinar o uso da área pública, bastante prejudicada pelas constantes invasões por permissionários de barraca e pelo comércio ambulante, em detrimento de poucas ou mal estruturadas áreas de circulação para o pedestre. Entendeu-se também que uma cidade bem resolvida em relação a seus espaços públicos de lazer, principalmente em se tratando da orla, é também uma cidade atrativa para o turismo, atividade já detectada como uma das principais vocações econômicas do estado.
Então, dentro desse objetivo geral, se tentou trabalhar de maneira a resolver algumas questões funcionais, como o conflito existente entre ciclistas e praticantes de cooper; mudar o conceito das áreas em torno das barracas de bar que eram tratadas como áreas privadas; resolver a questão da acessibilidade para o deficiente físico; incentivar o esporte mediante a reestruturação das quadras existentes e a criação de outras; resolver a questão da linguagem paisagística totalmente heterogênea, etc.
A primeira questão a ser tratada foi relativa à ciclovia. Anteriormente, com uma largura de 3 metros, era usada como faixa compartilhada entre os ciclistas e os praticantes do cooper, sendo os últimos os usuários com maior número. Notou-se inclusive a dificuldade encontrada pelo ciclista quando se aventurava a entrar nessa faixa, sendo muitas vezes expulso. O dimensionamento foi conseqüência do espaço disponível ao desenvolvimento dessas duas atividades, pois além dessa área, havia a necessidade de deixar áreas destinadas à colocação de bancos, postes de iluminação e postes de sinalização de maneira que esses mobiliários urbanos não obstruíssem a livre circulação dos pedestres.
Com a finalidade de disciplinar a comercialização de produtos pelos ambulantes, criou-se um equipamento com o nome de MIX, o qual consiste em uma barraca subdividida em boxes para a locação desses permissionários, a maioria, vendedores de tapioca e coco-verde. Como já se sabia da dificuldade de funcionamento e manutenção de banheiros públicos isolados, priorizou-se aproveitar os mixes, que seriam espalhados de maneira eqüidistante em toda a orla, para a colocação de banheiros públicos femininos e masculinos os quais seriam mantidos pelo próprio condomínio desses equipamentos por intermédio da cobrança de uma taxa. Depois do projeto concluído, não deverá existir nenhum tipo de comercialização em área externa aos mixes, pois uma grande quantidade de equipamentos espalhados, causa desorganização visual, sujeira e obstrui a visão do mar.
Outro ponto importante a considerar foi a mudança do tipo de pavimentação das calçadas. Anteriormente feitas em pedra portuguesa, as calçadas eram contra indicadas para uma boa acessibilidade, e deixavam muito evidente qualquer tipo de intervenção que fosse preciso ser feito em relação à mudança de fiação ou encanamento, fato freqüente em áreas públicas. Especificou-se um tipo de piso que consiste em blocos de concreto intertravados*, super resistentes, bonitos, pois são pigmentados e possibilitam vários tipos de paginação, e como o rejunte é de areia, tornam possível a drenagem natural das águas pluviais, sendo remanejáveis por ocasião de qualquer modificação de infra-estrutura. Temos ouvido algumas críticas de pessoas que, por não deterem conhecimento desses detalhes, consideram o bloco um tipo de tijolo de barro, pavimentação pouco resistente e totalmente contra indicada para áreas públicas.
Além desses conceitos, que valeram para todo o projeto, foram criados também espaços específicos para o uso de determinados usuários especiais. Um deles é o espaço reservado aos portadores de deficiência física e deficiência visual, no início da Pajuçara, onde se colocou quadra polivalente, depósitos para equipamentos como caiaques e cadeiras de roda adaptados ao jogo de quadra, e uma área social com um pequeno palco destinado às apresentações, com banheiros adaptados e uma lanchonete. Um outro espaço especial foi feito para a criança, com play-ground, pista para pequenas bicicletas, mini quadras para vôlei e um mix onde seriam vendidos produtos típicos apropriados a essa faixa etária, como pipoca, algodão doce e lanches. Também atendendo à grande demanda dos adolescentes que particam skate, projetou-se uma quadra com vários obstáculos a fim de ser utilizada por essa população que reclamava a falta de espaços para esse fim, na cidade.
Na orla da Jatiúca, ainda haverá a construção de um novo terminal de pescados, e no Posto 7, um equipamento de guarda-vidas, área para estacionamento de veículos, um palco que dará suporte aos campeonatos de surf e para pequenas apresentações voltadas a um público que já freqüenta esse espaço da orla.
Além das intervenções que já foram executadas ou estão em fase de conclusão, haverá algumas modificações com criação de mix cujo objetivo é dar lugar aos que comercializam tapiocas e coco-verde.
Temos acompanhado de perto o processo de execução do projeto pela Secretaria Municipal de Infra-estrutura, a qual tem respeitado o que foi previsto e especificado em planta, e temos certeza de que essa obra fará uma grande diferença para a população da cidade, nas suas atividades de socialização, esportivas e de lazer, e terá como conseqüência uma importante mudança de paradigma em relação aos projetos públicos: em primeiro lugar, o processo cuidadoso de planejamento com ênfase no interesse coletivo e, em segundo lugar, a qualidade do que se está propondo, tanto em relação ao projeto, quanto em relação ao material usado, cuja principal característica é a facilidade de manutenção e a durabilidade.
Para elucidar, ainda melhor, a matéria da arquiteta Rosa Elena, quanto ao piso utilizado na orla, a Revista Em Foco solicitou ao gerente comercial da T&A Pré-fabricados - fabricante do Paver, arq. Paulo Roberto Mendes Júnior, uma explicação técnica sobre esse produto:
“O Sistema Construtivo para Pavimentação, denominado *Piso Intertravado de Concreto ou Paver, é um sistema utilizado no mundo inteiro como o mais adequado para tratamentos urbanísticos de grandes áreas, como é o caso das orlas marítima e lagunar de Maceió. Por dispor de características técnicas adequadas do ponto de vista estrutural, ambiental e estético, disponibiliza alta resistência, proporcionando uma grande vida útil e reduzindo a manutenção para zero. Por possuir cores claras, uma menor porção da energia solar é absorvida e, por conseguinte, transformada em energia térmica características de países tropicais como o nosso. Reduz o consumo de energia elétrica à noite, haja vista que a iluminação será mais eficiente com uma quantidade menor de lâmpadas. Aliado a essas vantagens, o adequado efeito estético se compõe com a magnífica paisagem, o verde da vegetação dos coqueiros e o azul piscina, característica peculiar do mar da capital alagoana” Finaliza, o Arq. Paulo Roberto.