![]()
Dá pra conhecer São Paulo de bicicleta? E Aracaju?
30/12/2008 - MTV Pública
A população paulistana é mais de 20 vezes maior que a aracajuana (São Paulo tem 10,886 milhões de habitantes e Aracaju tem 520 mil - dados do IBGE). O PIB paulistano é quase 40 vezes superior ao aracajuano (em 2004, o PIB de São Paulo era de R$ 160,637 bilhões e o de Aracaju de R$ 4,190 bilhões - dados do IBGE)
São Paulo é tão maior que Aracaju que parece óbvio que tenha mais quilômetros de ciclovias, não é?
Mas o descaso de São Paulo com o transporte por bicicletas é tanto que a pequena Aracaju têm mais ciclovias que o centro econômico do país. Ao todo, a capital paulista tem 32,3 km de ciclovias (sendo que apenas 13,3 km servem para locomoção, já que o restante está em parques e é destinado apenas para esportes e lazer). E Aracaju, pasmem, tem 54 km de ciclovias!

Estive em Aracaju no início de setembro e optei por conhecer a cidade de bicicleta. Em um dia de semana, aluguei uma no final da orla de Atalaia e fui até o centro da cidade - cerca de duas horas de pedalada.
A maior parte do meu trajeto foi em ciclovias – embora tenha percorrido trechos sem pistas exclusivas para bicicletas. Mas o caminho, além de bonito – há ciclovias que passam pela orla e pelo mangue – foi muito tranquilo e seguro. Também vi muitos trechos de ciclovias em construção.
Desde que voltei pra São Paulo, uma dúvida martelava minha cabeça: será que também é possível conhecer a Paulicéia desvairada sobre duas rodas?

Ontem, domingo, resolvi buscar a resposta: aluguei uma bicicleta no metrô Anhangabaú e fui pedalar no centro de São Paulo (leia mais sobre o aluguel abaixo). Meu objetivo era passar por pontos turísticos: Sé, Largo de São Bento, Páteo do Colégio, Praça da República, Mercadão, cruzamento da Ipiranga com a São João...
Que sufoco!
No centro não há um metro de ciclovia! O asfalto está ruim para as bicicletas, cheio de buracos e fendas. Os trajetos são difíceis. Demorei muito tempo para fazer alguns percursos curtos por causa das direções muito variadas das ruas do centro e da ausência de sinalização.
Resultado: não recomendo a um turista conhecer o centro de São Paulo de bicicleta, especialmente em dia de semana. Mas recomendo a pedalada na capital sergipana!
Políticas públicas em Aracaju e São Paulo
Aracaju é um bom exemplo de como é possível mudar a cara da cidade. Em 2000, a capital de Sergipe tinha apenas 5 km de ciclovia – ou seja, em 8 anos foram construídos 49 km de ciclovias, mais do que o total existente hoje em São Paulo! A previsão é de que mais 10 km sejam construídos no ano que vem.
“A meta do prefeito Edivaldo Nogueira (PC do B) é dobrar a extensão de ciclovias existentes nos próximos quatro anos, arborizar e melhorar a estrutura para tornar o deslocamento mais agradável e construir bicicletários associados aos terminais intergrados de ônibus”, informou a Secretaria de Comunicação de Aracaju.
Já em São Paulo… há um Plano Cicloviário em elaboração que prevê a implantação de mil quilômetros de ciclovia num prazo de dez anos. Na imagem abaixo, estão listados os 100 primeiros quilômetros a serem implementados - as informações são da assessoria de imprensa da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo.

Hoje São Paulo tem:
- 19 km de ciclovia em parques municipais – 5,5 no Ibirapuera; 2,7 no Anhanguera; 8,2 no Carmo; 2,6 no Cemucam;
- 13,3 km de ciclovias em ruas - 1,8 na Estrada de Colônia; 6 na Radial Leste; 7 não concluídos na Inajar de Souza;
- 13,2 km de ciclovias em obras - 6,2 na Radial Leste; 7 na Adutora Rio Claro
- 31,7 km de ciclovias em projeto - 2,2 em Engenheiro Marsilac; 11,5 km em Ermelino Matarazzo; 3 km em Itaim Paulista; 15 km no Butantã.
Apesar de apresentar um cenário calamitoso com relação às ciclovias, São Paulo criou algumas facilidades para o transporte de bicicletas. Uma delas é o aluguel do veículo em algumas estações do metrô (Vila Mariana, Paraíso, Marechal Deodoro, Anhangabaú, Sé, Carrão, Corinthias-Itaquera e Guilhermina-Esperança).
A primeira hora é gratuita. Passado esse período, há um custo de R$ 2 a hora. Mas há um grande inconveniente: é preciso ter um cartão de crédito com limite superior a R$ 350 para alugar a bicicleta.
Também é possível transportar bicicletas no ultimo vagão do metrô, mas só depois das 20h30 em dias de semana; a partir das 14h aos sábados e durante todo o período de funcionamento do metrô aos domingos.
Mas qual é a eficácia dessas medidas se a cidade ainda não tem vias seguras para o deslocamento por bicicletas?
