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Piracicaba (SP) - Opção em usar bicicleta como meio de transporte, além da questão da saúde, traz bem estar pessoal para quem pedala
31/12/2008 - Erick Tedesco - A Tribuna de Piracicaba

Maria Beatriz Ouro, 40, pedala há apenas dois anos
e acredita
que é possível utilizar o veículo como transporte.
Foto: Carlos Ludwig
Enquanto utilizar o transporte público demanda R$ 2,35 por viagem e paciência para enfrentar o caos dos terminais superlotados e ainda eventuais atrasos das conduções, locomover-se de bicicleta, além da questão ambiental, de ser um transporte não poluente, faz bem à saúde e as pedaladas ainda pode ser uma atividade prazerosa, nada estressante. Enquanto a cidade não ganha uma ciclovia, Maria Beatriz Ouro, 40, professora de inglês, faz todos os dias o caminho casa-trabalho de bicicleta e garante que é possível, sim, andar a pedaladas em meio ao trânsito frenético e subidas intermináveis.
“Não sou ciclista profissional, mas já participei de competições mais leves pela região”, fala Beatriz, destacando o quarto lugar em uma prova realizada em São Manoel. A professora tem o hábito de andar de bicicleta há dois anos e confessa que foi incentivada pelo namorado. “Ando pela cidade devidamente equipada e cuido da bicicleta como se cuida de um automóvel, verificando se está tudo em ordem para utilizá-la”.
Beatriz explica que opta em usar bicicleta como meio de transporte pela questão da saúde e também pelo bem-estar pessoal que sente em pedalar. “A bicicleta ainda é um transporte mais humano, não polui, é difícil de atingir e machucar alguém e proporciona prazer. Carro apenas em extrema necessidade”.
Apesar de se locomover diariamente de bicicleta pelas vias públicas de Piracicaba, Beatriz alega que falta infra-estrutura na cidade para comportar pessoas que se utilizam deste transporte, como por exemplo, uma ciclovia. “Além de viável, é necessária. Durante minhas andanças percebo que muitas pessoas também se utilizam de bicicletas para chegar ao trabalho”, fala. Como usuária de bicicleta, ela afirma que a cidade não é constituída de ruas “sobe e desce” e acredita ser mais preguiça e sedentarismo da população em usar isto como desculpa. “Em cidades como Botucatu e Bragança Paulista, sim, são cidades com número grande de declínios”.
No entanto, de acordo João Chaddad, diretor do Ipplap (Instituto de Pesquisa e Planejamento de Piracicaba), Piracicaba em breve ganhará uma ciclovia, porém, apenas para o lazer. “Trata-se de uma pista de dois quilômetros que será construída na avenida Cruzeiro do Sul, no bairro Nova Piracicaba, por ser um terreno plano”, disse ele, que concorda com Beatriz que a topografia da cidade é irregular. Segundo informações do diretor, o prefeito Barjas Negri está ciente que precisará dar atenção à questão do transporte em Piracicaba, e o Ipplap encaminhará projetos de ciclovias à administração municipal.
E um destes projetos de construção de ciclovias está em fase de elaboração, como revela Chaddad. “Seria integrado com esta na avenida Cruzeiro do Sul, que chegaria até a Vila Rezende. Porém ainda estudamos a viabilidade do plano e quando fechado será encaminhado à Prefeitura no ano que vem”. Outra possibilidade é construir ciclovias que acompanhem a margem de rios, como exemplifica o diretor do Ipplap, a do Rio Piracicamirim e do Rio Piracicaba. “É uma idéia válida desenvolvida em Sorocaba, projeto no qual acompanhamos em visita neste ano”. Ele explica que margens de córregos se tornam terrenos propícios para ciclovias porque geralmente os declives são pequenos.
“A avenida Cruzeiro do Sul é plana, cumprida e o trânsito é pouco, comparando com avenidas e o centro da cidade”, diz Beatriz, ao concordar com o uso do local na construção de uma ciclovia. Questionada sobre a ciclovia da Estação da Paulista, ela apenas considera boa para crianças brincar, porque é curta e pequena. “Um bom lugar para andar de bicicleta é a avenida Renato Wagner, junto ao Rio Piracicaba, porém não é um lugar seguro”, fala ela em relação ao isolamento da via e pessoas suspeitas que rondam o local.
Mas João Chaddad afirma que, em projetos de ciclovias, além da construção de pistas, também envolve melhoria na iluminação e segurança do trajeto em que bicicletas eventualmente circulariam com frequência. “Depois da saúde e da educação, o transporte será o desafio da segunda administração de Barjas Negri em Piracicaba. O Ipplap viabilizará projetos”, disse o diretor, alegando que atualmente a cidade deve se adaptar a diferentes realidades, no sentido de outras alternativas além de carros e ônibus que estão congestionando o fluxo das vias públicas, principalmente no centro.
“Andar de bicicleta pelo centro da cidade é complicado! Além das ruas estreitas os motoristas não respeitam ciclistas e alguns até me jogam para a sarjeta. Mesmo o pedestre, que não pára para bicicletas”, reclama Beatriz. Chaddad justifica este problema com dados históricos. “As ruas de Piracicaba são heranças urbanas acumuladas há séculos. Antigamente serviam para o andar de carroças e atualmente caminhões pesados transitam pelas mesmas vias”. Fica o desafio de pensar numa Piracicaba contemporânea apta para abrigar uma população que usa bicicleta não apenas para o lazer, mas principalmente como meio de locomoção no dia-a-dia.